Expressões populares contêm ensinamentos ou comentários expressos de maneira figurativa e resumida. É o caso da expressão “toque de Midas”.
Significado da expressão “toque de Midas”
Diz-se que aquele que possui o “toque de Midas” tem a capacidade de fazer algo prosperar, multiplicar os lucros ou fazer o negócio brilhar e crescer.
A expressão é elogiosa para pessoas bem-sucedidas que parecem ter o dom de multiplicar dinheiro e transformar ideias em grandes sucessos.
Por outro lado, pode servir de alerta sobre a ganância excessiva, por lembrar que focar apenas em acumular riquezas pode trazer grandes perdas pessoais.
Origem da expressão
Apesar de a expressão originar-se da Mitologia Grega, o Rei Midas, de Frígia, região da moderna Anatólia, Turquia, existiu de fato no Século VIII a. C.
Em 2018, pesquisadores do Museu de Arqueologia e Antropologia da Universidade da Pennsylvania, Estados Unidos, sob a liderança de Rodney Young, localizaram o túmulo de Midas após escavações em Gordiom, hoje Yassihüyüki, antiga capital da Frígia.
Havia dois mitos sobre o Rei Midas, de Frígia. O primeiro é que seu filho Litosseres servia-lhe como protetor e era conhecido como “ceifador de homens”, devido a sua fama de decapitar os inimigos.
O segundo mito refere-se à capacidade do rei mitológico de transformar em ouro tudo o que tocava e que adquiriu caráter metafórico na sociedade atual.
Origem do mito do toque de ouro
O rei Midas mitológico vivia em abundância em seu castelo com sua amada filha. Ele era tão apegado ao ouro e a suas riquezas que um de seus passatempos favoritos era contar moedas de ouro.
O dom de Midas foi-lhe dado por Baco, deus romano do vinho, da festa e da fartura, que tinha Sileno como mestre e pai de criação.

Sileno criou e educou o jovem deus do vinho (Dionísio em grego, Baco na mitologia romana) e permaneceu como seu companheiro fiel por toda a vida. Quase sempre bêbado, Sileno precisava de ajuda para caminhar ou andava montado em um burro.
Certa vez, enquanto passeavam pelo bosque, Baco deu por falta de Sileno, que andara bebendo e se perdera no caminho. Camponeses encontraram Sileno e o levaram ao seu rei, Midas. Midas reconheceu-o, tratou-o com hospitalidade e conservou-o em sua companhia.
Depois de 12 dias, Midas levou Sileno de volta e o entregou a Baco que, agradecido, ofereceu a Midas o direito de escolher a recompensa que desejasse. Ganancioso, Midas pediu a Baco o dom de transformar em ouro tudo que tocasse.
Baco pressentiu que não era boa escolha, mas consentiu.
Midas logo quis testar seu dom. Arrancou um pequeno galho de carvalho que logo virou ouro na sua mão. Segurou uma pedra; ela mudou-se em ouro. Colheu um fruto da macieira, e a maçã se transformou em ouro.
Alegre, voltou ao castelo e ordenou aos criados que lhe servissem magnífico jantar. Midas horrorizou-se ao ver que a comida que tocava para levar à boca se enrijecia em ouro. Tentou tomar um cálice de vinho, mas a bebida desceu-lhe pela boca como ouro derretido.

Sua filha aproximou-se para o jantar. Midas a abraçou e ela se converteu em estátua de ouro.
Midas não conseguia comer nem beber, pois a comida virava ouro na boca. O dom que pedira virou pesadelo.
Desesperado, Midas implorou a Baco que o livrasse da maldição. Baco atendeu Midas e orientou-o a mergulhar no rio tudo que havia tocado e os objetos voltariam a ser como eram.
Midas banhou os objetos nas águas do Rio Pactolo e, assim, restituiu-lhes a antiga forma. Ele pôde então abraçar a filha sem perigo.
Fácil deduzir da lenda a crítica à ganância desmedida e a metáfora de transformar lucro em riqueza e ideias em sucesso.
