Jacilma Oliveira Andrade
Uma conhecida visitou seu tio que estava internado tratando-se de enfisema pulmonar. Mesmo no hospital, ele continuava fumando.
Durante a visita, ela buscou palavras de carinho e atenção para confortar o tio e teve a ideia de sugerir-lhe mansamente que pelo menos diminuísse o cigarro.
Grosseiro, o tio lhe respondeu que ela lhe faria grande favor se, depois dele morto e no caixão, ela lhe colocasse um cigarro na boca.
Ela retraiu-se constrangida e guardou a grosseria que lhe feriu a sensibilidade.
É possível observar, na convivência entre as pessoas, que há respostas desproporcionais ao que foi dito. Algo leve, simples e sem intenção de ferir recebe de volta não apenas aspereza; respostas podem conter frieza, ironia que corta, desdém que diminui — como se o que foi compartilhado tivesse um peso que não tinha. A resposta chega seca, sarcástica, distante, e é natural que nos perguntemos: “por que tal reação?”.

Mas há uma verdade que acalma profundamente: a resposta que alguém dá fala muito mais de QUEM A DIZ do que de QUEM A OUVE!
Cada um carrega dentro de si um mundo inteiro: histórias que marcaram; feridas ainda em processo de cura; medos que se disfarçam de superioridade; inseguranças que se vestem de indiferença. A resposta grosseira não nasce do que foi ouvido — brota de tudo o que habita no coração de quem responde asperamente.
É como um reflexo: o que retorna não é o que foi enviado, mas sim o que a pessoa tem dentro para oferecer naquele momento.
Quem responde com dureza, com sarcasmo ou desdém, muitas vezes está respondendo também a DORES ANTIGAS, a frustrações que não confessa e à paz que ainda não encontrou em si mesma.
Essa explicação não justifica a falta de gentileza, mas liberta de um PESO que não é NOSSO. A Sabedoria Maior ensina a ver além da palavra: a forma como alguém responde revela, antes de tudo, onde ela ainda não conseguiu repousar em si mesma. Não é sobre quem foi vítima da grosseria: é sobre o que o respondão ainda precisa encontrar dentro de si!
A nossa parte é permanecer na leveza, na bondade e na Paz que a alma reconhece como caminho. Devemos cuidar de nós, proteger o coração e seguir sem carregar o que não nos pertence.
Confiamos que cada um caminha no TEMPO que lhe é PRÓPRIO e que o que hoje parece duro pode, com tempo e com amor, se transformar.
Mantenhamos apenas o bem que escolhemos ser — e isso já é LUZ suficiente para nos guiar!
Jacilma Oliveira Andrade

Graduação em Teologia e em Psicologia, CRP: 17/3812.
Atende com abordagem bio-psico-sócio-histórico-espiritual.
Pós-graduação em Saúde Coletiva e Saúde Mental.
Pós-graduação em Neuropsicologia Clínica.
Especialista em Docência do Ensino Superior.
Jacilmaandrade@gmail.com
Instagram: @jacilmaandrade
Facebook: Jacilma Andrade

1 comentário
Sim. E nós demoramos entender que a boca fala daquilo que o coração está cheio.
Quando internalizamos isso, ficamos menos vulneráveis às palavras que nos dirigem sem pensar.