A Casas Bahia tem forte presença física em lojas e shopping centers, tem app e site próprios, além de vender em marketplaces parceiros, como Mercado Livre, Amazon e Shopee.
Ainda assim, protocolou pedido de recuperação judicial. Suas dívidas alcançam R$ 17,3 bilhões e o total de 28 mil credores, dentre os quais bancos, fornecedores, fundos de investimentos e dívidas trabalhistas.
Esta é a pior crise de sua história desde sua fundação há 74 anos. Há motivos para o pedido de recuperação judicial, como se verá a seguir.
Prejuízo
A empresa registrou prejuízo de R$ 10,1 trilhões no segundo trimestre de 2026, 18 vezes maior que o registrado em igual período do ano passado.
Enquanto empresa privada tem prejuízo e pede recuperação judicial, os Correios tiveram prejuízo líquido de R$ 5,36 bilhões no primeiro semestre de 2026, mas continua operando graças ao dinheiro dos impostos que o governo transfere para os Correios.
A fim de reduzir custos operacionais. a Casas Bahia fechou 298 lojas, 30% do total, e demitiu quase 3 mil funcionários, 10% do total. No entanto, a Justiça determinou a reintegração dos funcionários.
Justificativas
Renato Franklin, CEO da Casas Bahia, apresentou como causa do pedido de recuperação judicial a deterioração das condições econômico-financeiras do país, as quais são resumidas em:

– Juros elevados – Franklin alegou que “o aumento da taxa Selic causou efeitos especialmente perversos, pois a operação (da Casas Bahia) é estruturalmente dependente do crediário. Os carnês existem na empresa desde 1950 e respondem por 15,9% das vendas”. Os juros altos também fazem aumentar o custo das companhias e os custos do crédito. Além de frear investimentos, engolem o capital de giro. O varejo exige investimento permanente em estoque e manutenção de fornecedores para viabilizar as vendas.
– Endividamento das famílias – O endividamento das famílias brasileiras atingiu 82% em julho, segundo a Confederação Nacional do Comércio (CNC). Um quinto das famílias tem mais da metade do orçamento doméstico destinado ao pagamento de débitos. Endividadas, as famílias frearem o consumo. A retração do consumo atinge mais fortemente os setores de móveis, eletrodomésticos e eletrônicos.
– Inflação – a inflação come o salário, principalmente das famílias mais pobres que dependem do crediário para fazer compras. A inflação é consequência direta da gastança sem controle do governo.
– Outros gastos – disputam espaço com o consumidor, como apostas online. O consumidor endividado, com orçamento corroído pela inflação, empenhado para pagamento de dívidas e parte disputado pelas bets, passou a comprar menos. O IBGE traça perfil róseo do país, com desemprego em baixa, mas o dinheiro não está chegando nas lojas.
– Aumento das plataformas internacionais, como Amazon e Mercado Livre – as, plataformas internacionais aumentam a concorrência digital, permitem comparação instantânea de preços e passaram a oferecer crédito de forma ágil. Além disso, competem com produtos importados da China.

Recuperação judicial
O plano de recuperação tem 2 frentes: ajuste nos canais digitais para dar maior prioridade a vendas mais rentáveis e a negociação de empréstimo especial para empresas em recuperação judicial, que serviria para pagar os custos do dia a dia, como funcionários e fornecedores, e continuar operando normalmente durante a crise.
As cobranças de empresas em recuperação judicial, por parte de fornecedores e bancos, ficam suspensas por 180 dias, período que pode ser prorrogado por mais 180.
Ela terá esse período para se reestruturar e organizar o pagamento dos credores. O caminho é reorganizar-se para prosseguir.
A recuperação judicial permite a continuidade da operação da empresa ao mesmo tempo que negocia com os credores.
Outras empresas
Em 2025, foram 977 pedidos de recuperação judicial, recorde histórico.
Entre janeiro e abril de 2026, 268 empresas fizeram pedido de recuperação judicial, dados que demonstram que as condições econômico-financeiras do país estão levando o país à bancarrota. O governo permanece alheio às dificuldades e só faz aumentar os gastos descontroladamente e os impostos.
