Toda empresa tem aquela pessoa em quem todos confiam e cuja ajuda buscam em caso de aperto. É ela quem resolve problemas rapidamente, assume demandas inesperadas, ajuda colegas, evita conflitos e mantém o trabalho funcionando mesmo diante de dificuldades.
Em muitos casos, essa profissional é uma mulher.
À primeira vista, esse comportamento parece reunir todas as características valorizadas pelas organizações: comprometimento, responsabilidade, conhecimento, flexibilidade, colaboração e capacidade de execução. De fato, essas competências são importantes.
O problema surge quando a imagem da profissional extremamente confiável passa a ser associada apenas à execução.
Quanto mais alguém demonstra disponibilidade para resolver tudo, maior tende a ser o volume de demandas operacionais que recebe. Aos poucos, sobra menos tempo para participar de decisões estratégicas, desenvolver novos projetos, ampliar sua influência ou construir visibilidade junto às lideranças.
Sem perceber, muitas mulheres acabam se tornando indispensáveis para manter a operação funcionando, mas são pouco lembradas quando surgem oportunidades de crescimento. Elas são mais lembradas como o curinga do time, a que apenas faz tudo.
Isso acontece porque as organizações nem sempre promovem quem mais trabalha. Frequentemente, promovem quem também consegue demonstrar visão de negócio, capacidade de decisão e atuação estratégica.
Existe importante diferença entre ser reconhecida como alguém que entrega muito e ser percebida como alguém preparada para liderar.
Em determinados momentos da carreira, continuar aceitando todas as demandas pode deixar de ser sinal de comprometimento e passar a dificultar a construção do próximo passo profissional.
Crescer também exige aprender que dizer “sim” para tudo nem sempre fortalece a carreira. Às vezes, é justamente a capacidade de definir prioridades que permite ocupar espaços maiores dentro da organização.
Resolver todos os problemas pode fazer alguém indispensável para a função atual, mas não necessariamente para a função seguinte.
O faz-tudo pode se mostrar indispensável na função de executora, mas não expõe qualidades outras como planejar, coordenar e liderar.
