Eu estava com minha coluna pronta (gosto de escrevê-la com antecedência), quando vi o artigo “A prosperidade não espera você se sentir pronta”, de Marianna Stivanello, publicada no final de agosto no Portal iMulher.
Pensei em trocar o tema, a fim de não parecer que estava a plagiar o artigo dela. Porém decidi publicar meu artigo como o redigi porque os dois textos se completam, se reforçam e uma confirma aquilo que a outra está dizendo.
Existe um comportamento muito comum entre mulheres altamente qualificadas que passa despercebido dentro das organizações: a tendência de acreditar que ainda falta alguma coisa antes de dar o próximo passo.
São comuns pensamentos do tipo: “falta-me mais um curso”; “estou em busca de um projeto relevante”; “preciso de mais alguns meses de experiência”; “sinto-me insegura e desejo adquirir mais segurança”; “quero ter mais certeza de que serei capaz de desempenhar a nova função”.
Na prática, essa busca constante por preparação faz com que muitas profissionais adiem oportunidades importantes enquanto esperam atingir nível de confiança que talvez nunca cheguem a alcançar completamente.
O curioso é que o desenvolvimento profissional quase nunca acontece dessa forma. As maiores competências de liderança, negociação, tomada de decisão e influência costumam ser construídas justamente depois que a pessoa assume novos desafios, e não antes deles.

Assumir novos desafios não significa agir por impulso ou ignorar a importância da preparação. Significa compreender que crescimento profissional também exige disposição para aprender durante o percurso.
Enquanto algumas mulheres aguardam o momento ideal para se candidatarem à promoção ou para aceitarem nova posição, outras, muitas vezes menos preparadas, avançam porque enxergam o potencial de aprender no caminho.
Essa diferença de comportamento acaba produzindo impactos silenciosos na trajetória profissional. Não por falta de competência, mas porque a expectativa de estar completamente pronta pode se transformar em obstáculo invisível ao próprio crescimento.
Talvez uma das mudanças mais importantes para a carreira feminina seja compreender que confiança não é requisito para começar. Em muitos casos, a confiança é consequência das experiências que só acontecem depois que se aceita o desafio.
No mundo do trabalho, esperar sentir-se pronta pode significar deixar que oportunidades passem enquanto se espera a perfeição que nunca foi exigida.
