As expressões populares são frases anônimas de tradição oral que transmitem sabedoria, conselhos e críticas sociais, que nascem de vivências e costumes populares.
Significado da expressão “cara de pau”
A expressão “cara de pau” descreve alguém sem vergonha; que age com descaramento e sem se importar com críticas; que não se constrange mesmo quando comete erros; que abusa da confiança alheia; ou se comporta de forma inconveniente.
Diz-se que alguém tem “cara de pau” quando alguém mente de forma evidente e ainda mantém o rosto impavido.
Origem da expressão
“Cara de pau” surgiu a partir da comparação entre o rosto humano e a madeira. O rosto humano normalmente revela emoções — como felicidade, vergonha, alegria ou medo —, e a madeira é rígida e sem expressão.
O “cara de pau” é alguém, como a madeira, de rosto duro, que não demonstra sentimentos ou reações. A comparação é antiga e provém da analogia com as esculturas de madeira com feições sérias ou assustadoras colocadas na proa dos navios antigos.

As esculturas serviam para enfeitar as embarcações e para afastar maus espíritos ou animais lendários que surgissem durante a viagem.
Como as elas mantinham expressão inabalável diante de tempestades ou situações perigosas, o termo passou a ser usado para descrever quem age sem demonstrar vergonha ou rubor e se mantém inabalável diante de qualquer situação.
Egípcios, fenícios e gregos antigos usavam as figuras de proa, mas não há datas, nem modelos nem dados precisos sobre o início do costume que se espalhou pelos navegadores.
As esculturas de madeira nas embarcações atingiram o pico na época das Grandes Navegações, Século XVI e XVII. A prática decaiu a partir do Século XIX.
Carrancas

No Brasil, as carrancas surgiram no Vale do São Francisco no final do Século XIX e enfeitavam embarcações que transportavam pessoas e cargas pelo Rio São Francisco.
Mais tarde, as carrancas foram levadas das embarcações para as casas e são comuns na frente ou interior das casas da Bahia, Pernambuco e Norte de Minas Gerais com o mesmo simbolismo de proteção do lar. A crença permaneceu a mesma de usar a cara feia e insensível da carranca para proteger o lar e afastar maus espíritos.
Atualmente, as carrancas são objeto de decoração e símbolo da arte popular brasileira.
