Significado da expressão
A expressão popular “unha de fome“ define a pessoa avarenta, sovina e apegada ao dinheiro.
Sinônimos de “unha de fome”:
- Avarento;
- Avaro;
- Sovina;
- Mesquinho;
- Harpagão (surgiu a partir do nome do personagem principal – Harpagon – da peça “O Avarento”, do dramaturgo francês Molière);
- Migalheiro (alteração popular da palavra “mealheiro”, cofrinho onde se guardam moedas);
- Morrinha (pode significar mau cheiro, pessoa chata ou avarenta);
- Resmelengo (mais usado na região Norte, com o significado de rabugento, teimoso ou sovina);
- Somítico (que tem obsessão em economizar);
- Manicurto (mão curta, no sentido literal; avarento, no figurado).
Há termos populares sinônimos de “unha de fome”, como pão-duro, mão de vaca, munheca de samambaia, mão-fechada e muquirana.
Exemplo:
Ele me convidou pra almoçar e não pagou nem a parte dele. É muito unha de fome.
Origem da expressão

“Unha” adquiriu o sentido de posse, ao observarem as aves de rapina que agarram as presas com as unhas. Daí surgiram expressões, utilizando a palavra “unha”, com o significado de aprisionamento e dominação: ‘estar nas unhas de alguém’ é estar sob o domínio desse alguém; ‘botar as unhas de fora’ é mostrar-se, exibir-se, revelar-se; ‘botar as unhas em…’ é apossar-se de algo; ‘ter unhas na palma da mão’ é alguém acostumado a furtar.
Deduz-se que “unhas de fome” são aqueles que agarram o dinheiro ou bens com a mesma volúpia e força com que as aves de rapina famintas agarram as presas para devorá-las.
“A Arte de furtar”
Atualmente, autores dão a livros título utilizando a palavra “segredo”, sugerindo que o livro esconde mistério ou fórmula oculta que desperta curiosidade e interesse dos leitores.
Os romances “O Segredo de Emma Corrigan”, de Sophie Kinsella; “O Segredo de Paris”, de Karen Swan; “O Segredo de Cleópatra”, de Emily Holleman são exemplos.
Livros de desenvolvimento pessoal e finanças, como os citados a seguir, pretendem revelar “segredos”: “O Segredo de Luísa”, de Fernando Dolabela, sobre empreendedorismo; “Os Segredos da Mente Milionária”, de T. Harv Eker; “O Segredo das Pessoas Saudáveis”, de David Agus.

No Século XVII em Portugal, o modismo foi publicar livros com o título “A Arte de…”: “A Arte de Navegar”, de 1606, “A Arte de Orar” de 1630; “A Arte de Reinar”, de 1643.
Em 1652, o padre jesuíta português Manoel da Costa (1601 – 1667) escreveu “A Arte de Furtar”, que não ensinava a roubar; apenas mostrava os tipos de ladrões. Esse livro faria sucesso no Brasil como alerta para a população sobre os tipos de ladrão, tantos são eles.
O padre Manoel da Costa separa em capítulos os diferentes tipos de trapaça, nomeando-as como “unhas”. Num dos capítulos, o padre fala “dos ladrões que furtam com unhas militares”, sobre furtos praticados por militares. Noutro, ele fala das “unhas reais”, aqueles praticados pela realeza. Noutro ainda, das “unhas bentas”, furtos cometidos por padres. O padre Manoel fala ainda em “unhas tímidas”, “unhas fartas”, “unhas pacíficas”, “unhas postiças”, “unhas mimosas” e mais dezenas de unhas.
Manoel da Costa afirmou que caberia a el-Rei a função de cortá-las. No Brasil atual, quem poderá cortá-las se el-Rei faz parte da quadrilha, possivelmente junto com familiares?
O capítulo que mais se destacou no livro do padre Manoel Costa foi “Dos que furtam com unhas de fome”, aqueles que chegam a passar fome para não terem de gastar. São os que, conforme o padre, “se provêm de carne podre, bacalhau deteriorado, biscoito estragado, vinho azedo, azeite sujo porque acham os produtos mais barato”.
