Expressões utilizadas no cotidiano fazem parte da cultura do povo e enriquecem o idioma. Antes de verificar a origem da expressão “valer a pena”, a recordação dos significados da palavra “pena” ajudará a entender a expressão.
Sinônimos da palavra “pena”
A palavra “pena” tem diferentes significados:
- Peça que reveste o corpo das aves;
- Pequena peça de metal que, adaptada à caneta, serve para escrever;
- O instrumento da escrita;
- Castigo, punição (Foi condenado à pena de 10 meses de reclusão);
- Sofrimento, padecimento. (A despedida me causou aflição e pena. O verbo “penar” significa padecer, sofrer);
- Piedade, compaixão, dó (Tem pena de mim e vem ficar comigo);
- Lástima, desgosto (Pena que tenham terminado o namoro);
- Sensação de tristeza pelo sofrimento alheio (Tenho pena de quem não ama a música).
Significado da expressão “valer a pena”
A expressão “valer a pena” (escrita sem crase. É errado “valer à pena”) significa que o objetivo atingido compensou o esforço feito; o resultado foi positivo; a ação foi proveitosa e justificou o sacrifício dispendido.

No poema “Mar Português”, o poeta português Fernando Pessoa escreveu que “tudo vale a pena se a alma não é pequena”.
Fernando Pessoa quis dizer que todo esforço, ou dor, é recompensado quando se tem grandeza interior, coragem e determinação. Tem “alma grande” quem se entrega aos seus sonhos, que tem nobreza de espírito e dignos ideais. Para esses, o percurso, ainda que permeado de dores e sacrifícios, será valioso.
Na música “Começar de novo”, Ivan Lins canta que vale a pena começar de novo e contar um com o outro depois de desacertos e desencontros:
Começar de novo e contar comigo
Vai valer a pena ter amanhecido
Ter me rebelado, ter me debatido
Ter me machucado, ter sobrevivido
Ter virado a mesa, ter me conhecido
Ter virado o barco, ter me socorrido.
A origem da expressão está ligada à ideia de “penar” (sofrer, trabalhar duro), para obter resultados e que o resultado positivo alcançado terá compensado o esforço despendido.
Outra origem da expressão “valer a pena”

Em tempos idos, usavam-se penas de ave para escrever. As penas de ganso eram as melhores porque tinham o eixo oco e retinham maior quantidade de tinta.
As extremidades da pena se desgastavam rapidamente e precisavam ser substituídas com frequência. O processo de escrever era bastante lento, pois o escritor molhava com frequência a pena na tinta e escrevia as ideias no papel. O papel era caro e deveria ser utilizado para escrever belos temas, que justificassem o seu uso e o desgaste da pena. Assim, os escritos deveriam “valer a pena” gasta e o papel consumido.

A invenção das penas de metal se deu ao longo do Século XVIII e resolveu a questão do desgaste da pena de ave.
Porém, o nome “pena” permaneceu para definir o objeto de metal utilizado para escrever, pois cumpria função similar à da pena de aves.
Ocorreu no caso a figura de linguagem “metonímia”, quando se utiliza o nome da matéria-prima (as penas de ave) para se referir ao instrumento da escrita que a substituiu (caneta bico de pena).
