Atsushi Katsuki, executivo-chefe (CEO) da Asahi, cervejaria japonesa que tem grande mercado no Japão, Europa, Oceania e Ásia, alertou que o aumento da temperatura prejudica a produção de cevada e de lúpulo no mundo inteiro, o que poderá ocasionar escassez de cerveja nas próximas décadas. Katsuki fez o alerta ao jornal britânico Financial Times, que foi traduzido em artigo publicado no jornal Valor Econômico.
Segundo Katsuki, “apesar de que com clima mais quente o consumo de cerveja pode aumentar e se tornar uma oportunidade, a mudança climática terá impacto grave na produção de lúpulo e de cevada”. A afirmação foi feita com base em estudos realizados pela Cervejaria Asahi.
Estudo publicado na revista científica Nature Communications, assinado por cientistas de diferentes universidades, indica que a quantidade de lúpulo e a qualidade dele podem ser afetadas pelas mudanças climáticas. O estudo confirma o alerta dado por Katsuki.
Se se confirmar o cenário de aquecimento de 4 graus centígrados na temperatura média do planeta até 2050, cenário mais desfavorável previsto pela ONU, a produção de cevada na França poderá cair 18% e a da Polônia, 15%.
Neste cenário, a qualidade do lúpulo, essencial para a fermentação da cerveja e para dar-lhe sabor, cairá 25% na República Tcheca, um dos maiores produtores mundiais de lúpulo.
Se o aumento médio da temperatura for de 2 graus centígrados, a queda da produção de cevada na França e na Polônia será de 10% e 9% respectivamente.

A volatilidade no clima tem interferido nas safras de cevada e lúpulo, a ponto de o preço do malte de cevada ter alcançado níveis recorde em 2022 na Europa.
Uma solução será o aumento da área de cultivo do lúpulo.
A Cervejaria Asahi fez parceria com a Microsoft e com uma empresa de tecnologia agrícola para rastrear o volume das safras de cevada e lúpulo.
Katsuki alertou que “devemos todos trabalhar juntos para mitigar os riscos da mudança climática”.
Grandes empresas começam a planejar, a organizar-se e a buscar alternativas para o caso da ocorrência de mudanças climáticas severas.
Artigo escrito baseado em artigo publicado no Jornal Valor Econômico, traduzido do Financial Times por Rachel Warszawski.