Manifestações são pouco frequentes no Afeganistão porque costumam ser dispersadas com violência. Ainda assim, cerca de 50 mulheres participaram de protesto em Cabul contra o fechamento dos salões de beleza determinado pelo Talibã, grupo fundamentalista radical que governa o país.
O protesto chamou a atenção das forças de segurança, que dispersaram o protesto delas utilizando jatos de água. As mulheres enviaram fotos e vídeos da repressão para a imprensa internacional.
A UNAMA, sigla em inglês da Missão da ONU no Afeganistão, condenou a atuação da polícia afegã, classificando-o como mais um ato de desrespeito aos direitos das mulheres afegãs.
Os salões de beleza proliferaram no país durante os 20 anos em que o Talibã esteve fora do Poder, e o Afeganistão esteve ocupado pelas forças dos Estados Unidos e da ONU. Após a retirada dessas forças do país, o Talibã reassumiu o governo e passou a adotar medidas de repressão contra as mulheres.
O PortalIMulher noticiou a ordem do governo afegão de fechar os salões de beleza do país.
Uma conta no Twitter ligada ao regime publicou que o Talibã “usará todos os meios necessários para preservar a sociedade masculina e tradicional” e referiu-se às manifestantes como “bandidas feministas”.
O Ministério da Prevenção do Vício e Promoção da Virtude justificou o fechamento dos salões de beleza alegando que as pessoas gastam muito dinheiro em casamentos, que as famílias mais pobres comprometem seu orçamento com coisas desnecessárias que os serviços oferecidos pelos salões de beleza não estão de acordo com a lei islâmica.
As afegãs não podem trabalhar para organizações internacionais, não podem entrar em parques públicos, em jardins, em estádios e somente podem viajar em companhia de parente masculino. Elas somente podem sair de casa completamente cobertas.
Os salões de beleza eram o último reduto de liberdade e de socialização das afegãs.
O fim dos salões de beleza significará o fim de atividades de estabelecimentos comerciais administrados por mulheres e levará muitas famílias à pobreza.