Thomas Bulfinch (1796 – 1867), escritor norte-americano, facilitou o acesso das pessoas comuns ao conhecimento da Mitologia, sem a necessidade de conhecimento de História ou de outras ciências. “O Livro de Ouro da Mitologia”, de sua autoria, é a dica cultural de hoje.

Os deuses da Mitologia desapareceram do âmbito das religiões, mas permanecem na literatura e como inspiração de obras de arte.
Os antigos gregos atribuíam a divindades os fatos que não conseguiam explicar. Com isso, criaram muitos deuses responsáveis por fenômenos e fatos diversos, que tinham habilidade especial em sua área de atuação e tinham também paixões e fraquezas humanas. Quase como os super-heróis atuais. Essa mistura dá margem a belas histórias de arte, ficção e romantismo.
Os gregos acreditavam que a Grécia era o centro da Terra, e o centro da Grécia era o Monte Olimpo, a morada dos deuses. A entrada do Olimpo era uma porta de nuvens, vigiada pelas deusas das Estações.
Os deuses tinham diferentes moradas e compareciam ao Olimpo quando convocados por Júpiter, deus dos deuses e dos homens. Reunidos, os deuses discutiam os destinos da terra, dos oceanos, do céu e do mundo subterrâneo.
Cada deus dominava uma área específica. Apolo era o deus da música; Vulcano era o arquiteto, ferreiro e armeiro; Vênus, a deusa do amor; Marte, o deus da guerra…
Os gregos antigos não conseguiam explicar fatos da Natureza e criaram um deus que administrava e controlava aquele fato. Assim, explicavam os acontecimentos pela atuação ou pela vontade do deus responsável pela área.
Belo exemplo vem da ninfa Eco. Os gregos não entendiam como acontecia o eco nem como o som se repetia; eles criaram a figura da ninfa Eco. Ninfas eram espíritos naturais femininos, ligados a um objeto ou local particular da Natureza.

A ninfa Eco, simpática e falante gostava sempre de dar a última palavra, tentou enganar Juno (Hera), mulher de Júpiter e rainha dos deuses. Irada, Juno condenou Eco a apenas responder a perguntas e nunca falar em primeiro lugar. Envergonhada, ela retirou-se para as cavernas e as montanhas, de onde repete as palavras que são dirigidas a ela e nunca fala em primeiro lugar.
A criação do homem tem explicação muito interessante. Os titãs nasceram no início dos tempos e eram os ancestrais dos deuses e dos homens. Zeus derrotou os titãs e tornou-se o chefe de todos os deuses.

Os irmãos titãs Epimeteu e Prometeu foram incumbidos de fazer o homem e os animais e de dar a cada um deles dons necessários para a sobrevivência. Epimeteu começou a criar os animais e dava a eles dentes fortes, garras, força e carapaça para sua proteção. Quando criou o homem, Epimeteu não tinha mais nenhum dom a oferecer-lhe, pois havia espalhado todos os dons entre os animais. Epimeteu pediu ajuda a Prometeu, que subiu ao céu, acendeu sua tocha no carro do sol e ofereceu o fogo ao homem.
O domínio do fogo fez com que o homem se tornasse superior aos animais, pois ele pôde construir armas para se defender, pôde construir casas e aquecê-las para proteger-se e pôde criar moedas que facilitaram o comércio.
Prometeu representa o amigo dos homens que roubou o fogo dos deuses e o ofertou aos humanos. Por isso, Júpiter condenou Prometeu a ficar acorrentado a um rochedo, onde um abutre lhe arrancava o fígado, que se renovava à medida que era devorado. Prometeu tornou-se símbolo da resistência a sofrimento imerecido e de força de vontade.

Epimeteu foi casado com Pandora, que abriu a caixa de presentes que Júpiter deu a ele e da qual saíram todos os males do mundo, exceto a esperança. Os gregos antigos consideravam a esperança um mal e, por isso, ela estava entre os males.
Outra versão conta que a caixa continha os bens que os deuses ofereceram a Prometeu e que, quando Pandora abriu a caixa, os bens se espalharam pelo mundo e ela conseguiu reter apenas a esperança. Essa versão diz que a esperança permanece mesmo quando todos os bens se vão.
Essas são algumas das explicações extraídas do “O Livro de Ouro da Mitologia” sobre as crenças dos gregos antigos em deuses, titãs e ninfas e como eles agiam sobre os homens e a Natureza. Leitura leve, agradável e elucidativa.
1 comentário
Mais uma dica que vou anotar. Tenho planos de adquirir um livro assim, um resumão da mitologia grega. Acho este assunto muito interessante, tenho vontade de ter um livro assim, como fonte de consulta para apoiar em outras leituras. Recentemente li Prometeu acorrentado, justamente um dos comentários do post.