Por Cláudio Duarte
As mulheres sempre estiveram presentes em todos os campos da atividade humana, quer como coadjuvantes, quer como protagonistas. Retratar suas histórias é uma forma de reconhecimento e, também, de incentivo para as mulheres modernas. Elas fazem e sempre fizeram tudo que os homens fazem, e de salto alto!
Confira nesta última reportagem da série ‘Mulheres da Antiguidade’ feitos que nos servem de exemplo de luta, coragem, determinação e fé.
Egéria (ou Etéria)
Não se sabe ao certo a data de seu nascimento. Sabe-se que, entre os anos de 381 e 384, Etéria realizou a viagem da Espanha até a Terra Santa, no outro extremo do Império Romano. Saiu da Espanha, atravessou o Sul da Gália e o Norte da Itália. Chegou a Constantinopla de barco e, de lá, partiu para Jerusalém, Egito, Alexandria, Tebas, Edessa e Síria, de onde retornou para a Espanha. Fez a viagem sozinha, nos anos 380.
Ela teve plena autonomia para decidir fazer a viagem e para empreendê-la. Na falta de máquina fotográfica, Etéria escreveu um livro sobre sua viagem. Há que admirar-se da viagem de Etéria, principalmente considerando-se a época de sua jornada, a falta de recursos, sua coragem e determinação.

Bela Frineia
Frineia nasceu na Beócia, mas viveu em Atenas por volta de 400 a.C.. Cortesã de extraordinária beleza, adquiriu riqueza e prestígio. Rica, ofereceu-se para reconstruir os muros de Tebas (Grécia) que haviam sido destruídos por Alexandre, o Grande, em 336 a. C., sob a condição de que as palavras “Destruído por Alexandre, restaurado por Friné, a hetera“, fossem escritas nos muros. As autoridades gregas rejeitaram a oferta. (Hetera significa prostituta de luxo, cortesã).
Frineia foi a julgamento público acusada de profanar os Mistérios de Elêusis (ritos de iniciação ao culto das deusas agrícolas Deméter e Perséfone, celebrados em Elêusis. Os ritos eram considerados de maior importância, porque celebravam o renascimento das plantas e da vida depois do Inverno). Quando Hipérides, seu advogado e amante, percebeu que o veredito seria desfavorável a sua cliente, rasgou o manto da bela Frineia, exibindo seu corpo e conseguindo que os juízes a absolvessem. Outra versão diz que ela mesma tirou suas roupas. Mas a mudança no julgamento dos juízes não foi simplesmente porque eles ficaram fascinados pela beleza de seu corpo nu, mas sim porque, na Grécia Antiga, o belo era identificado com o bom, como aspecto da divindade ou sinal de favor divino.
Por ocasião de um festival em homenagem a Poseidon, deus do mar, Frineia soltou os cabelos e entrou nua no mar, fato que inspirou o pintor Apeles (um dos mais importantes pintores da antiguidade) em sua grande obra ‘Afrodite Anadyomène’ (representação da deusa Vênus). A beleza de Frineia serviu de modelo para retratar a deusa da formosura e do amor.
Devido à sua beleza, Frineia inspirou muitas obras de arte ao longo da História: poemas, música, pintura e esculturas. Até um asteroide, descoberto em 1933 por Eugène Delporte, leva o seu nome.


ESCULTURA (música de Adelino Moreira, cantada por Nelson Gonçalves)
A música ‘Escultura’, escrita por Adelino Moreira em 1957, cita Frineia. A música é muito romântica e traduz bela declaração de amor. O compositor imagina recolher os traços marcantes de várias mulheres para montar a escultura da mulher ideal. Vale lembrar a letra.
Cansado de tanto amar
Eu quis um dia criar
Na minha imaginação
Um mulher diferente,
De olhar e voz envolvente
Que atingisse a perfeição.
Comecei a esculturar
No meu sonho singular
Essa mulher fantasia
Dei-lhe a voz de Dulcineia
A malícia de Frineia
E a pureza de Maria.
Em Gioconda fui buscar
O sorriso e o olhar
Em Du Barry o glamour.
E para maior beleza
Dei-lhe o porte de nobreza
De Madame Pompadour.
E assim, de retalho em retalho,
Terminei o meu trabalho
O meu sonho de escultor
E quando cheguei ao fim
Tinha diante de mim
Você, só você, meu amor.
Gladiadoras (gladiatrix)
Apesar da existência de poucas referências históricas sobre mulheres guerreiras em Roma, mesmo porque não eram tão numerosas como os homens, pode-se afirmar que houve gladiadoras mulheres (gladiatrix) na Antiguidade.
As mulheres também lutavam para garantir o entretenimento do povo romano. Por causa do alto custo de treinamento em manutenção das guerreiras, nem sempre elas eram mortas no combate. Outro dado interessante é que elas não eram escravas, mas mulheres livres. Ou seja, as gladiadoras eram bem nascidas e entravam nas arenas em busca de aventura e fama.
Em 63 d.C., Tácito escreveu que Nero organizou jogos com atrações incomuns, incluindo as gladiadoras. O imperador gostava de forçar esposas de senadores a se enfrentarem na arena.
O escritor romano Petrônio também citou gladiadoras em lutas sobre bigas realizadas em Roma. As mulheres passavam por treinamentos semelhantes ao dos homens. Assim como os homens, as gladiadoras também batalhavam com os seios à mostra. Além de combates entre si, elas também lutavam contra animais, como tigres e leões.
Por volta do ano 200, o imperador Lúcio Sétimo Severo baniu os duelos entre gladiadoras.
Reportagem #4 (de 4) da série: Mulheres da Antiguidade
Leia AQUI a reportagem #1
Leia AQUI a reportagem #2
Leia AQUI a reportagem #3
3 Comentários
Apreciei e muito esta série Mulheres da Antiguidade.
Não conhecia a música “Escultura” de Adelino Moreira.Vou escutá-la com atenção especial para ouvir Nelson Gonçalves cantando “A Malícia de Frineia”.
E que simpatia esta frase: “Elas fazem e sempre fizeram tudo que os homens fazem,e de salto alto”.
Parabéns Cláudio Duarte.
Cláudio, adorei esta série Mulheres da Antiguidade.
Supimpa!!!
Genial essa reportagem que fala das mulheres, pesquisei pra saber de onde veio as personagens usadas pelo compositor da música que Nelson Goncalves cantava e que fez tanto sucesso, obrigado.