Segundo dados de setembro de 2023 da Secretaria Nacional de Trânsito (SENATRAN), 1.903 cidades brasileiras têm mais motos que carros registrados e 3.665 cidades têm mais carros que motos registradas.
As motos existem em maior número nas regiões Norte e Nordeste. Na Região Norte, 80% das cidades têm mais motos que carros. No Nordeste, a proporção é de 70%.
Há 20 anos, as motos equivaliam a 16% da frota de veículos no Brasil; atualmente, equivalem a 27%.
O encarecimento dos carros, o aumento da renda e o crescimento dos aplicativos de entrega explicam o aumento do número de motos no país.
O aumento do número de motos fez aumentar o número de acidentes envolvendo motos. Em 2021, o Ministério da Saúde registrou 11.115 mortes de motociclistas em razão de colisões e de quedas.
60% dos internamentos no SUS decorrem de acidentes com motos.
Apesar de representarem 15% da frota da cidade de São Paulo, as motos estão envolvidas em 40% dos acidentes na cidade. Cerca de 1,3 milhão de motos circulam pela cidade de São Paulo.
Autorizada pela Secretaria Nacional de Trânsito, a cidade de São Paulo, que possui a maior frota de motos no país, criou faixas exclusivas para motos, a chamada “Faixa Azul”.
A Faixa Azul consiste na sinalização de segurança para motocicletas, localizada entre as faixas 1 e 2 dos veículos. A faixa não é exclusiva para motocicletas; é a demarcação para que, em caso de tráfego congestionado, as motos possam transitar pela faixa com mais disciplina e mais segurança e não entre os carros.

O projeto foi instalado na Avenida 23 de Maio e na Bandeirantes da capital paulista, com o objetivo de organizar o espaço compartilhado entre automóveis e motocicletas. Nos últimos 12 meses, as duas avenidas não registraram morte de motociclistas.
A prefeitura tem projetos para aumentar o número de “Faixas Azuis” para 200 quilômetros até o final de 2024. Atualmente são 70 Km.
As cidades de Rio de Janeiro, Porto Alegre e Belo Horizonte estudam a implantação do projeto. O Estado de Santa Catarina tem projeto, ainda em tramitação na Assembleia Legislativa, de instituir faixas exclusivas para motos em rodovias estaduais.
São Paulo teve experiência mal sucedida com faixas de motos. Há explicação para o insucesso. A faixa exclusiva para motos ocupava a faixa da esquerda do trânsito de veículos e tinha 2 metros de largura de modo a permitir ultrapassagens. Porém, os carros começaram a invadir a faixa e espremiam as motos no canteiro central. Com isso, o número de acidentes não diminuiu.
Espera-se que a nova configuração cumpra seu objetivo e contribua para diminuir o número de acidentes com motos, como vem ocorrendo.