Mesmo sem terem conquistado medalhas, algumas mulheres registraram seu nome na história dos Jogos Olímpicos.
Stamati Revithi, grega (1866 – ?)
O Comitê Olímpico Internacional não permitiu a participação de mulheres nos primeiros Jogos Olímpicos da Era Moderna, disputados em Atenas em 1896. No entanto, já havia as primeiras manifestações em favor da maior participação social e profissional da mulher na sociedade e também no esporte.

A grega Stamati Revithi não obteve do COI a autorização para correr a maratona, prova de 42,195 quilômetros, nos Jogos de Atenas 1896. Revithi teve forma peculiar de protesto.
Revithi desafiou o mundo e o COI e fez a corrida da maratona em volta do estádio um dia após a prova oficial disputada pelos homens. Ela completou o percurso em 4 horas e meia. (atualmente, o melhor tempo feminino da realização da maratona é de 2h 16m 16s da queniana Peres Jepchirchir, alcançado em 2024).
Stamati Revithi reuniu testemunhas de seu feito que confirmaram a realização e o tempo da corrida e, mesmo assim, ela não obteve autorização para entrar no Estádio Panathinako de Atenas, onde os jogos eram disputados.
Apesar de o tempo que ela registrou tenha sido menor que o obtido por alguns atletas masculinos, o COI não registrou sua façanha e nunca a reconheceu. A atuação de Revithi causou espanto na época e demonstrou que as mulheres estavam aptas para praticar esportes e participar dos Jogos Olímpicos.
Não existe nenhum dado sobre a vida de Stamati Revithi após a corrida da maratona, nem mesmo a data de seu falecimento.
Enriqueta Basilio (México, 1948 – 2019)
Considerada a melhor atleta mexicana em sua época e campeã nacional de corridas de 80 metros com barreiras, Enriqueta Basílio não conquistou nenhuma medalha olímpica.

Entrou para a história dos Jogos por haver acendido a pira olímpica nos Jogos Olímpicos da Cidade do México 1968, primeira mulher a ter tal honraria.
Gabriela Andersen-Schiess (Suiça – 1945)
Mesmo quem aprecia esporte talvez não se lembre do nome Gabriela Andersen-Schiess, mas certamente se lembrará de seu feito.

Os Jogos Olímpicos de Los Angeles admitiram pela primeira vez a disputa da maratona (corrida de 42,195 quilômetros) para mulheres. Antes de Los Angeles, as mulheres disputavam provas curtas de corrida, sendo a maior a de 1.500 metros.
Gabriela era veterana na maratona: marcou o melhor tempo da prova na Suiça da época e havia vencido as maratonas de Minneapolis-St Paul e a de Sacramento.
A disputa da maratona dos Jogos de Los Angeles teve 50 mulheres inscritas, dentre as quais Gabriela Andersen-Schiess.
Durante a prova, ela corria na 20ª posição e perdeu a última estação de água. Sob o sol e forte calor de Los Angeles, ela desidratou-se e foi acometida por fortes cãibras. A chegada da maratona era no Los Angeles Coliseum e Gabriela demorou 7 minutos para percorrer os 500 metros finais da competição dentro do estádio.
Ela mancava, cambaleava e apresentava quadro de confusão mental. Mesmo assim, dispensou a ajuda de médicos e enfermeiros porque sabia que, se recebesse ajuda, seria desclassificada da prova.
Ela cruzou a linha de chegada e caiu nos braços da equipe médica, sob os aplausos intensos de todo o estádio, até dos juízes.
Gabriela Andersen-Schiess se classificou na 37ª colocação entre as 44 corredoras que permaneceram na prova, 24 minutos a mais que o tempo da vencedora norte-americana Joan Benoit.
Depois de duas horas de atendimento médico, ela foi liberada.
Após a prova, ela declarou aos jornalistas que queria completar a prova pois, com 39 anos de idade, aquela seria a última oportunidade de disputar a maratona nos Jogos Olímpicos.

A imagem da chegada de Gabriela correu mundo e tornou-se símbolo de perseverança, superação, determinação e amor ao esporte.