Máquinas sem sentimentos
A Academia Militar das Agulhas Negras realizava festival de música. Em 1970, a música vencedora do festival cantava assim:
“Existe em nossa vida
Um profundo sentimento
Que por muito que se esforce
Não cabe em nenhum invento.
Vejo a máquina que pensa
Com enorme precisão.
Mas existe a diferença
Ela não tem coração”.
Infelizmente, não me lembro do nome dos colegas compositores e nem de toda a letra da música; apenas o trecho citado.

O gestor tem coração e raciocina
A Inteligência Artificial (IA) pode fazer análises da conjuntura com base nos dados de que dispõe e naquilo para o que foi programada.
A IA pode apontar opções e até escolher a melhor delas informando a contrapartida e os riscos. Pode propor soluções de acordo com os objetivos da empresa.
Essas habilidades decorrem do deduções lógicas e de raciocínio matemático. Mas a IA e máquinas não traduzem sentimentos. Ainda.
A IA e o gestor
A IA pode ajudar o gestor em muitos aspectos, mas não elimina as incertezas de uma decisão; o gestor é quem tem de lidar com as incertezas e as angústias da tomada de decisão.
A IA sabe as metas a atingir e os prazos estabelecidos para atingi-las e poderá orientar quanto ao uso de ferramentas para aumentar as vendas da empresa. Mas ao gestor, em última instância, caberá a responsabilidade por aquilo que decidiu.
A IA não dá coragem ao gestor para tomar a decisão e nem para enfrentar riscos. A coragem de tomar decisões é única e exclusiva do gestor.
A IA não sabe considerar o preparo ou o despreparo do gestor. Inversamente, o gestor preparado e consciente pode até tomar decisões contrárias ao que propõe a IA.
A IA não consegue avaliar a Lei Moral que, segundo a Arte da Guerra, é o sentimento que faz com que “o povo fique de completo acordo com seu governante, levando-o a segui-lo sem se importar com a vida, sem temer perigos”.
A IA aponta caminhos, mas é o gestor quem identifica oportunidades e perigos inopinados que surgirem durante a caminhada. Para que a IA possa ajudá-lo nessas situações, o gestor deverá alimentar a IA com novos dados de fatos que surgirem.
Por mais bem alimentada de dados que seja, a IA não sabe considerar o conhecimento que o gestor tem de si próprio e de sua equipe e nem o conhecimento que ele terá de seus concorrentes. O gestor é quem alimenta a IA com dados e com as informações daquilo que deseja e do que espera dela.
O papel do gestor
A coragem de decidir, a habilidade de gerar confiança e liderar e a responsabilidade pela decisão tomada ainda são virtudes indelegáveis do gestor.
A IA adquiriu grande importância na vida de todos, mas ainda é meio auxiliar de estudo, de análises, de coleta de dados e de informações. É meio de apoio ao gestor, que é o principal condutor de sua equipe. Ainda se discute se chegará o dia em que as máquinas assumirão o papel do ser humano.
Coragem, habilidade de liderar e capacidade de assumir decisões não são dons que nascem com alguns e não nascem com outros. São virtudes que devem e podem ser desenvolvidas por meio do estudo, do aprimoramento pessoal e da prática.
Os militares dizem que o homem é a principal peça do combate. Se a missão for apertar um botão, ele tem de estar preparado para o ato de apertar o botão.
O gestor ainda é o principal elemento a conduzir a equipe e liderar a empresa.

1 comentário
Excelentes observações, Coronel Cláudio! A IA deve ser encarada como um assistente, mas as decisões devem ser tomadas por nós.