A lutadora italiana Ângela Carini abandonou a luta de boxe após apenas 45 segundos de combate contra o atleta trans argelino Imane Khalif.
O motivo? A atleta argelina é um lutador trans, e Carini lutava contra um homem.
A italiana tomou um soco violento no nariz e decidiu abandonar a luta porque a potência do soco foi muito maior do que aqueles que ela havia experimentado nos treinamentos e em outras lutas. Ela preferiu zelar pela própria integridade física.
Juntamente com o tailandês Lin Yu-ting, Imane Khalif havia sido desqualificado do campeonato mundial de boxe de 2023, realizado em Nova Deli, Índia, por falhar nos testes de elegibilidade de gênero; apresentou níveis de testosterona acima do permitido.

O presidente da Associação Mundial de Boxe (AMB), o russo Igor Kremlev, disse que os atletas desclassificados tinham cromossomo XY e os excluiu. Disse que vários atletas tentaram enganar as colegas e se fingirem de mulheres.
O Comitê Olímpico Internacional (COI), que organiza os Jogos Olímpicos, tem regras muito mais brandas e flexíveis que a AMB e autorizou a participação de Khalif na categoria feminina. O COI desconsiderou a decisão da AMB.
O COI pôs por terra as aspirações, os sonhos e todo o esforço de Ângela Carini.
Depois de desistir da luta, Ângela Carini declarou, chorando, que ela lutou em homenagem a seu pai e queria a vitória em homenagem a ele. Seu pai, falecido recentemente, lhe ensinou que o lutador deve agir de modo semelhante ao ciclista: ao ver que fará o último quilômetro da corrida, não importa quão desgastado esteja, o ciclista irá pedalar com todas as suas forças e dará o máximo de si.

Carinhosamente, o pai lhe disse que pedalasse com toda energia , pois ele sempre estaria ao lado da filha. Carini disse que sentiu que estava no último quilômetro, empenhou-se ao máximo e seguiu o ensinamento do pai, mas não tinha condições de enfrentar um homem no ringue.
O confronto entre trans e mulheres é desigual e profundamente injusto. O poder do soco de uma pessoa que passou pela puberdade como homem é 160% mais potente que o soco da mulher.
A testosterona, o principal andrógeno, é asteróide anabolizante. O andrógeno, termo genérico para compostos naturais ou sintéticos, estimula o desenvolvimento e manutenção das características masculinas.

Os anabolizantes estimulam o desenvolvimento de tecidos do corpo, são usados no tratamento de doenças para aumentar o volume dos músculos e a força física e para aumentar a densidade e a força óssea. A pessoa que tiver maior quantidade de testosterona corpo desenvolverá maior volume muscular e maior força física.
O COI estabeleceu que, para competirem como mulheres, os atletas trans não podem apresentar quantidade de testosterona superior a 10 nanomol por litro de sangue, contando os últimos 12 meses anteriores à competição. (A unidade mol conta o número de moléculas, íons e átomos no sangue e vale 6X10 na potência 23). Definiu ainda que não há necessidade de cirurgia de redesignação sexual para que o trans seja considerado feminino.
A mulher também possui testosterona no sangue, em concentração bem menor que a do homem. O ápice de testosterona nas mulheres varia entre 2,8 e 3,2 nanomols por litro. Ou seja, o valor arbitrado pelo COI de 10 nanomols por litro para atletas trans ainda beneficiará os atletas trans e lhes dará vantagem. O valor da testosterona admitido para os atletas trans será 3 vezes maior que o valor que as mulheres têm do andrógeno no sangue.
Tentaram justificar a presença de Imane Khalif na competição feminina dizendo que ela nasceu mulher e possui uma condição chamada Desordem de Desenvolvimento de Sexo (DSD), o que faz com que ela apresente altos níveis de testosterona, similares aos dos homens. Um homem jamais será uma mulher, e uma mulher nunca será um homem. Como diz o provérbio popular, “cada macaco no seu galho”.

A decisão do COI é covarde, injusta, vergonhosa e prejudica as mulheres, assim como prejudicou Ângela Carini. Será que homem bater em mulher se tornará esporte olímpico, em nome da agenda woke?
As agendas igualitárias estão desconsiderando a biologia e o corpo humano.
Ao tentar incluir atletas trans nas competições, o COI está excluindo as mulheres e retirando delas o direito de competir em igualdade de condições. Não há proteção para as mulheres no esporte.
A Federação Internacional de Vôlei (FIVB) não permite que atletas trans façam parte das seleções femininas. A Worlds Athletics, (órgão que gere o atletismo em âmbito mundial), definiu que atletas transgênero, que passaram pela puberdade masculina, não poderão competir em eventos válidos pelo ranking mundial feminino.
A agenda de valorização de trans foi enaltecida na solenidade de abertura dos Jogos Olímpicos Paris 2024, até com o vilipêndio ao quadro da santa ceia. Seria difícil imaginar que prejudicasse as mulheres em benefício dos trans.
A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, declarou que “atletas que possuem características genéticas masculinas não devem ser admitidos em competições femininas”.
A nadadora norte-americana Riley Gaines disse apoiou Carina: “imagine treinar a vida inteira, ficar boa o suficiente para ganhar vaga na equipe olímpica, esperar ganhar medalha olímpica… então lhe dizem que você tem que lutar contra um homem. Essa é a realidade trágica para as mulheres lutadoras“.
As mulheres não podem perder espaço no esporte, como Carina perdeu, por conta da ideologia de gênero e os benefícios dados aos atletas trans. Todas as mulheres, ao competirem com atletas trans, deveriam retirar-se da disputa, como fez Ângela Carini, para garantir o espaço das mulheres no esporte. E até sua dignidade de mulher.
O COI acabou com os sonhos, o esforço e o empenho de Ângela Carini. Será preciso que o COI também acabe com os sonhos e os esforços de outras mulheres?
Será preciso chegar ao cúmulo de, em competições femininas, haver apenas atletas trans no pódio?
Cláudio Duarte.
Colunista e colaborador do PortaliMulher. Professor de Educação Física, com diploma reconhecido pelo MEC.
OBSERVAÇÃO: Uma leitora me ligou e me corrigiu que o termo correto para referir-se a Imane Khalif é “intersexo”, porquanto ele não mudou de sexo. Independentemente do termo a ser usado, a opinião permanece, porquanto o texto objetiva criticar a agenda trans, que pretende inserir homens, de qualquer designação, para competir com mulheres.
3 Comentários
Toda essa metáfora que palavra carrega- TRANS – pode ser tudo, menos TRANSparente… O conhecimento elementar de qualquer animal é distinguir macho e fêmea… Aceita-se por aceite imposto… CQD,diria um matemático…
Excelente como sempre seu comentário.
Minha filha abordou o assunto comigo. Estava horrorizada com a desigualdade imposta às competidoras pelo COI, gerando a situação ocorrida. Sou de opinião que, se os atletas, homens e mulheres, não se posicionarem a respeito, a tendência é q novos casos surjam em nome da ideologia de gênero.