Em 28 de dezembro de 1895 – há 128 anos, portanto -, no Grand Café de Paris, os Irmãos Lumière realizaram a primeira exibição de seu invento, que chamaram “cinematográfico”.
Auguste Marie Louis Nicholas Lumière (1862 – 1954) e Louis Jean Lumière (1864 – 1948), ambos nascidos em Besançon, França, os inventores do “cinematografe”, são conhecidos como os pais do cinema. A primeira exibição foi de um trem em movimento chegando à estação de La Ciotat (literalmente “A Cidade”), pequena cidade francesa.
Em 2010, La Ciotat tinha pouco mais de 35 mil habitantes, porém ficou mais conhecida por ter sido o cenário dos primeiros filmes criados, particularmente “L’Arrivée d’um train em gare de La Ciotat”, (A chegada de um trem na estação), justamente a filmagem feita pelos Irmãos Lumière.
O filme, bem simples se comparado à sofisticação que o cinema adquiriu, tem a duração de apenas 42 segundos e tem a imagem da estação, alguns passageiros à espera do trem, um carregador de malas e a chegada do comboio na estação. Há registros de que o trem em movimento criou pânico entre os espectadores que não estavam preparados para a surpresa da ilusão cinematográfica. Quando viram o comboio vindo em sua direção, alguns espectadores, temendo ser atropelados, começaram a gritar e a fugir em direção ao fundo da sala.

Os Irmãos Lumière não botavam muita fé em sua invenção. Até que George Méliès, ator e mágico, intuiu que o cinema tinha futuro e, em 1902, fez a primeira exibição pública do filme “Viagem à Lua”. O filme, que dura 14 minutos, baseava-se nos romances “Da Terra à Lua”, de Julio Verne, e “O primeiro homem na Lua”, de H.G. Wells.
O filme mostra uma nave, em forma de míssil, lançada em direção à Lua e aterrissando em seu olho direito. A Lua é representada como ser antropomórfico (concebido com forma aparente de ser humano ou com atributos humanos). Na Lua, os astronautas encontram os selenitas (denominação dada aos possíveis habitantes da Lua, que muitas pessoas acreditavam que existiam). Os astronautas conseguem voltar à Terra, caem no oceano e são levados de volta a Paris como heróis.

O êxito foi imediato. George Méliès criou o cinema de ficção e comprovou que o cinema serviria muito mais que simples registro de dados cotidianos.
“Viagem à Lua” trouxe a concepção que o único limite pra o criador cinematográfico é a imaginação. Aí estão “Guerra nas Estrelas”, “Jornada nas Estrelas”, “Indiana Jones”, “ET”, “Jornada nas Estrelas”, “Avatar” e tantos outros a expandirem os limites da ficção nas telas dos cinemas.
Logo o cinema se destacou, caiu no gosto popular e foi alçado à condição de arte. Em 1911, o intelectual italiano Ricciotto Canudo publicou em Paris um artigo que é considerado como o primeiro texto que define o cinema como arte.
Em 1923, Ricciotto Canudo atualizou o seu artigo de 1911 e incluiu a dança e o cinema no rol das artes. A partir de 1923, passou a prevalecer a listagem das sete artes feita por Ricciotto Canudo, na qual constam a Arquitetura, a Escultura, a Pintura, a Música, a Poesia, a Dança e o Cinema. (O teatro não aparece na lista porque combina em si diversas linguagens artísticas existentes).
Criado em 1895, com apenas 28 anos o cinema foi incluído no rol das artes.
A importância de o cinema ser considerado arte é que, segundo Leonardo da Vinci, “a lei suprema da arte é a representação do belo”. A arte tem por objetivo aproximar as pessoas da beleza, e o cinema consegue envolver as pessoas porque afeta mais de um sentido e consegue impressioná-las mais.
Tudo começou há 127 anos, com um filme de 42 segundos de duração, no qual seus idealizadores não colocaram muita fé.