O âmbar cinza, substância conhecida como “ouro flutuante”, é produzido pelas baleias cachalote e foi descoberto no início do Século XIX, quando a caça às baleias teve início em grande escala.
O âmbar cinza tem aroma amadeirado, semelhante ao sândalo, e contém ambreína, álcool inodoro que prolonga a fixação dos perfumes.
As baleias ingerem grandes quantidades de lulas e chocos (moluscos marinhos, que têm uma concha interna, bolsa de tinta, oito tentáculos e cinco dentes), que não são digeridos pelo animal. As baleias vomitam parte do que ingerem e outra parte vai se acumulando em seu intestino.
Para proteger o intestino, elas produzem uma espécie de cera, que vai envolvendo os alimentos não digeridos e resistentes ao processo digestivo.
A cera, formada no intestino do animal, pode ser excretada junto com as fezes ou pode acontecer de a cera crescer demais e romper o intestino da baleia, matando-a. Excretada, a pedra flutua no mar; daí o nome “ouro flutuante”.
A pedra costuma aparecer nas praias ou entre as pedras costeiras. Pescadores já “capturaram” pedra de âmbar cinza nas redes de pescaria.
A pedra de âmbar é gordurosa, inflamável e tem cheiro de fezes quando fresca. Exposta à luz do sol e ao ar, empedra ganha odor peculiar e, logicamente, adquire maior valor. A pedra é resistente à decomposição.
O âmbar cinza é conhecido desde a antiguidade pelos povos costeiros e sua origem era considerada misteriosa. Achava-se que a pedra era originária das cavernas marítimas.
A caça à baleia no Século XIX mostrou que a origem do âmbar cinza é o intestino das baleias cachalotes. Apesar de ocorrer em baleias cachalotes adultas macho e fêmea, a pedra é rara, porque não se forma no estômago de todos os animais. Apenas 1 em 100 baleias produz o âmbar cinza. Por essa razão, a pedra é rara e valiosa.

As pedras de âmbar do estômago das baleias podem variar de poucos gramas a mais de 50 Kg. Há notícias de pedras de âmbar com mais de 200 Kg.
No final de maio, uma baleia cachalote foi encontrada morta na praia de Nogales, ilha de Las Palmas, Espanha. Os veterinários da Universidade de Las Palmas foram designados para fazer a necropsia da baleia.
Eles perceberam que a baleia tinha cerca de 13 metros e apenas 15 toneladas de peso e concluíram que ela deveria ter morrido de problema digestivo, porque uma baleia de 13 toneladas deveria pesar bem mais.
Abriram o sistema digestivo do cachalote e encontraram uma pedra de âmbar cinza de 9,5 quilos e 60 centímetros de comprimento, que deve valer em torno de 500 mil dólares (perto de R$2,6 milhões).
A Universidade de Las Palmas está procurando comprador para a pedra no mundo dos perfumes e pretende utilizar o dinheiro arrecadado para ajudar as vítimas do vulcão que entrou em erupção em Las Palmas em 2021 e que causou mais de 4 bilhões de dólares de prejuízos.

Como é considerada em risco de extinção, a baleia cachalote não pode ser caçada. A forma mais comum de encontrar o âmbar cinza é flutuando no mar ou encalhada nas pedras. Foi golpe de sorte haver encontrado a pedra no estômago da baleia morta, mesmo porque a morte de baleias em decorrência da pedra de âmbar é rara.
Existe âmbar produzido sinteticamente, bem diferente do natural em termos de olfato, remanência (odor que permanece) e preço.
Difícil imaginar que o perfume mais agradável possa ter origem ou ter o fixador originário na pedra do estômago de baleias cachalote, que as excretam juntamente com as fezes.