Entenda o que acontece em Maceió
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O assunto efervescente do momento é o afundamento do solo em bairros de Maceió, o que tornou necessária a evacuação, por segurança, de moradores do local.
Entenda a razão do afundamento do solo.
A empresa Braskem começou a explorar sal-gema no subsolo. A extração do sal-gema, nos moldes como foi feita em Maceió, não é recomendada em regiões urbanas pelo risco de afundamento do solo. o sal-gema se encontra a 1.200 metros de profundidade, havendo outras camadas sobre ele.
Até 160 metros | Areias, argilas e calcarenitos |
De 160 a 350 metros | Arenitos |
De 350 a 700 metros | Conglomerado |
De 700 a 1200 metros | Folhelhos |
A partir de 1200 metros | Sal-Gema |
O sal-gema tem ampla utilização em processos químicos e industriais. É matéria-prima empregada na obtenção de cloro, soda cáustica, bicarbonato de sódio, tintas, produtos farmacêuticos e outros produtos.
É consumido diariamente na preparação de alimentos e como complemento na alimentação do gado.
O método de exploração de sal-gema mais barato é feito pela injeção de água no subsolo através de um tubo. A água se mistura ao sal-gema e forma solução salina, que é retirada do solo através de outro tubo.

No interior do solo, a água dissolve o sal que, extraído, deixa vazios e forma cavernas. As cavernas vão crescendo de maneira descontrolada à medida que o sal é extraído. A água contribui para amolecer a camada se sal, o que desestabiliza as camadas superiores.
Quando a extração de um poço é completada, passa-se a extrair o sal em outro poço. A empresa foi cavando novos poços e repetindo a operação. Assim, o número de cavernas no subsolo foi aumentando. A legislação prevê distância mínima de 70 metros entre dois poços, mas há indícios de que tal distância não foi respeitada.
Além da formação sucessiva de cavernas, algumas foram se ligando às vizinhas, o que aumentou o tamanho das cavernas. A instabilidade do solo foi aumentando e as camadas acima do sal foram se acomodando. Essas camadas se apoiam na camada de sal e não têm capacidade de sustentar a si próprias. Ao perderem apoio, o solo foi afundando.
A Braskem cavou 35 poços na região, o que significa pelo menos 35 cavernas no subsolo, com o risco de algumas cavernas se ligarem a outras e de diminuir a sustentação do solo.

Essa acomodação gerou terremotos de pequena intensidade e o terreno, sem sustentabilidade, foi cedendo na superfície. Os terremotos surgiram em 2018. Foram os primeiros alertas dados pelo solo.
A acomodação do solo pode ocorrer de uma vez – o que abre abruptamente a cratera na superfície – ou aos poucos, lenta e continuamente. Em Maceió, está acontecendo o afundamento progressivo, que chegou a 5 cm por hora e depois a velocidade caiu. A velocidade do afundamento tem oscilado ao longo dos dias. Na região do Poço 18, o afundamento foi de 1,80 metros. Não há construção que resista.
Mesmo havendo o afundamento lento, pode ocorrer o afundamento abrupto e formar uma cratera repentinamente na superfície. Daí a necesidade de a região ser desocupada para segurança dos moradores.
Bairros estão vazios, casas desocupadas e ha informações de que cerca de 60 mil pessoas estão desabrigadas na cidade e não há previsão de data para o retorno a suas casas, pois não é possível prever quando o solo se estabilizará.