Por Cláudio Duarte
A falta de explicação sobre como a imagem do homem se fixou no linho é o maior mistério do Sudário de Turim.
O linho do Sudário apresenta mistura de linho e algodão, técnica conhecida no Oriente Médio nos séculos iniciais de nossa era, porém desconhecida na Europa. A técnica de misturar linho ao algodão somente chegou à Europa no Século XIV. Então, a textura do linho do Sudário corresponde à dos tecidos existentes no tempo de Jesus no Oriente Médio.
Museus conservam tecidos de linho de 2 mil e até 4 mil anos antes de Cristo. O linho, guardado em condições ideais, pode ser conservado muito bem durante milênios.
Do mesmo modo como não há dados concretos que permitam afirmar com certeza que o linho não é do tempo de Cristo, não se pode afirmar que o linho é do tempo de Cristo. Há indícios.
O Sudário apresenta sinais distintos: marca de sangue, marca do incêndio, marca da água usada para apagar o incêndio e a figura do homem. Vejamos cada um dos sinais.
O sangue impregnou o linho por contato. Foi identificado como sangue humano, do tipo AB, RH positivo, tipo muito comum entre os judeus (cerca de 18% dos judeus têm este tipo sanguíneo, enquanto a média da população mundial com sangue tipo AB se situa entre 3 e 4%). Portanto, é provável que o Homem do Sudário tenha sido judeu. Mais um indício.

Em 4 de dezembro de 1532, a capela de Chambéry, onde o Sudário estava guardado dobrado em uma urna de prata, sofreu um incêndio. A urna de prata, onde estava o linho, começou a fundir-se e partes da prata derretida caíram sobre as dobras do tecido, furando-o por completo e simetricamente. A prata se funde a 920 graus centígrados, ou seja, a temperatura da urna de prata chegou a 920 graus centígrados. Mas a imagem do Homem do Sudário não ficou comprometida e nem se apagou.
A prata liquefeita, que caiu sobre o linho, deixou nele marcas do queimado, bem ao lado da imagem do corpo.
As marcas deixadas pela prata liquefeita ao lado do corpo do Homem do Sudário. Na altura do joelho, observa-se mancha da água utilizada para apagar o incêndio de 1532. O acúmulo de sangue no pulso mostra que o cravo para a crucificação foi fixado no pulso e não na palma da mão.
A imagem do Homem do Sudário é resistente ao calor, pois não foi afetada pelo fogo.
A água utilizada para apagar o incêndio também deixou marcas no Sudário.
O grande mistério do Sudário está na imagem do homem impregnada no linho, pois a ciência não sabe e nem tem explicação sobre como ela se fixou no Sudário. Cientistas formularam teorias, mas duas delas, testadas, produziram imagens borradas que em nada se assemelham à imagem do Sudário.
A primeira teoria – de que a imagem se formou pelo contato do homem com o tecido – foi rejeitada porque não há material biológico no linho e todas as experiências feitas com cadáveres ou manequins não deram resultado sequer parecido.
A segunda teoria – de que a imagem se formou pela evaporação e mistura da ureia existente no suor do homem com a mirra e o aloés colocados no sepulcro – também foi rejeitada porque os testes feitos com cadáveres e com manequins não produziram resultado nem aproximado.
A imagem do Homem do Sudário é uniforme: mãos, pés, cabeça, tronco, todas as partes impressas da mesma forma. As glândulas sudoríparas de uma pessoa estão distribuídas de maneira desuniforme pelo corpo. Então, a imagem não se formou pelo suor do homem.
A imagem do Homem do Sudário não foi pintada; não há vestígio de pigmentos no linho. Não há o mínimo traço de pintura, de tinta, lápis, óleo ou água usada para pintá-lo.
Além disso, não se nota nenhuma pincelada, nenhuma delimitação de imagem. Não há o traço do pintor, a marca pessoal de direção que a mão imprime ao pincel.
Segundo os estudiosos, está definitivamente afastada a hipótese de a imagem do Homem do Sudário ser uma pintura.
A explicação mais aceita hoje em dia é a de que aquele corpo emitiu uma radiação termoluminosa, de luz e de calor, que incidiu perpendicularmente sobre o pano que o envolvia e deixou impressa no pano a imagem daquele corpo. Essa teoria explica todas as características particulares da imagem do Homem no Sudário.
A imagem do Homem do Sudário é uniforme, de tamanho natural, proporcional, sem distorções. Não há distorção entre pés, mãos e cabeça; por isso, a radiação terá saído uniformemente de todo o corpo.
Só que essa teoria não pode ser comprovada, mesmo porque nenhum outro corpo morto passa por semelhante processo. A ciência não aceita fatos que não possa comprovar e o fato que aconteceu com aquele corpo aconteceu somente com aquele corpo.
Essa teoria se fortaleceu depois da explosão da bomba atômica em Hiroshima. A explosão de uma bomba atômica pode ser resumida como um monumental flash de luz, seguido de explosão e estrondo.

O calor emanado da explosão atômica chega a 2 mil ou 3 mil graus centígrados, pulverizando corpos instantaneamente. A foto abaixo mostra a sombra deixada por um corpo pulverizado pelo calor decorrente da explosão da bomba atômica em Hiroshima.

A explicação mais aceita – e impossível de ser comprovada – é que aquele corpo emitiu jato de luz e de calor que deixou impressa sua imagem no linho.
O curioso é que a explosão e o jato de luz foram controlados: se o jato de luz fosse fraco, não deixaria marca no linho. Se fosse muito forte, queimaria completamente o pano.
Evidentemente, a ciência não aceita a ideia de que, por volta do ano 33 de nossa era, uma bomba atômica de 80 Kg (peso aproximado do Homem do Sudário) explodiu num sepulcro de Jerusalém e não causou nenhum efeito a não ser deixar a marca do corpo de um homem no linho.
Mas a ciência não explica fenômenos da fé, nem as ações de Cristo e nem as de Deus.
Por isso, o Sudário aí está como ponte a ligar ciência e religião.
Para quem acredita e tem fé, nenhum sinal é necessário; para quem não tem fé nenhum sinal é suficiente.
Ainda que desnecessário como instrumento de fé, o conhecimento do Sudário aumenta e reforça a fé.
No último artigo da série, mostraremos a imagem tridimensional do Homem do Sudário, com os sinais da flagelação e crucificação que Cristo sofreu.
Cláudio Duarte é colunista e colaborador do Portal iMulher e estudioso do Sudário de Turim.
Participante do I Congresso Internacional sobre o Sudário de Turim, realizado no Rio de Janeiro, em 2001.
- Confira no primeiro artigo da série, publicado ontem, o desafio de Secondo Pia, primeira pessoa autorizada a fotografar o Sudário, que seria exposto ao público.
- O artigo de amanhã – último da série – explica porque o Sudário não é a prova material da ressurreição de Cristo, mas um “misterioso indício”, um testemunho mudo do fato sobrenatural da ressurreição.
5 Comentários
Ótimo texto! Parabéns Cláudio! Que Deus continue abençoando você. Forte abraço!
Parabéns, meu caríssimo conterrâneo e amigo. Seus artigos sobre o Santo Sudário são deveras interessantes. O assunto por demais instigante. Mas, como vc mesmo disse – Para quem acredita e tem fé, nenhum sinal é necessário; para quem não tem fé nenhum sinal é suficiente. Abraço fraterno.
A ciência já é um presente dado aos humanos. Ter fé é evoluir. Meu Jejê, Meu Mestre, tantas coisas que ainda não queremos veremos ver…
Que assunto fascinante! Belissimamente escrito, muito bem detalhado. Sou fascinada por esse evento. Como aconteceu e ninguém consegue provar que é, e também não conseguem provar o contrário. Parabéns, Cláudio!
Bebendo com avidez as informações que o texto nos mostra. Parabéns Claudio pela clareza do texto!