A vida me permitiu conhecer pessoas que me despertaram e ainda despertam profunda admiração e grande respeito.
A convivência com essas pessoas, muitas se tornaram meus amigos, me reforça na lembrança os repetidos ensinamentos da minha mãe: “junta-te aos bons e serás um deles; junta-te aos maus e serás pior que o pior deles”.
Poderia citar muitos nomes de honrados amigos, cada um com suas virtudes próprias a me incentivarem a ser melhor. Citarei o Pedro Shoji.
Formamo-nos juntos na Academia Militar. Como a tantos outros, sempre o admirei.
Ainda mantemos contato por meio de longas conversas. Servimos de apoio e consolo um para o outro para nos mostrar mutuamente que não estamos errados em nossas posições e em nosso idealismo inabalável.
À semelhança da parábola de Jesus, Pedro Shoji foi terra fértil na qual as sementes do patriotismo, do entusiasmo e da lealdade ao juramento de defesa da Pátria desabrocharam e fizeram desenvolver grandes virtudes.

Descendente de samurais japoneses e neto de japoneses, um dos quais lutou na Mandchuria durante a Guerra Russo-japonesa (1904 – 1905), Pedro Shoji preza a honra e a dignidade como valores sagrados. Em sua fala, em sua conduta e em sua postura, ele emana esses valores que pulsam em seu coração e correm em suas veias.
Conversamos recentemente por quase 2 horas. Rimos, relembramos passagens marcantes da vida e feitos de outros amigos. Conversa saudosista, mas ainda cheia de entusiasmo e espírito de luta. A velhice não nos abateu o entusiasmo e o idealismo.
Os generais morrem na cama, diz provérbio militar a querer dizer que generais não morrem no campo de batalha.
Veterano e aposentado, hoje com 78 anos, Pedro Shoji poderia se aquietar e pensar em morrer na cama como um velho general. Ainda mais que dedicou a vida ao Exército, tendo participado de missões extremamente perigosas e difíceis.

Contudo, Pedro Shoji não deseja morrer na mansidão de uma cama; ainda sonha em morrer em atividade. O neto de samurai sonha em morrer enfrentando desafios.
Pedro Shoji gostaria de morrer em combate, ainda trocando tiros com inimigos, bandidos, criminosos e corruptos. Pode parecer paradoxal, mas ele terá paz se morrer lutando.
Mergulhador, ele gosta de pegar o barco e, sozinho, ir mar adentro mergulhar. Outra morte, que para ele seria nobre, seria mergulhando a enfrentar os desafios do mar.

O espírito guerreiro, herdado de seus avôs e antepassados, e a luta em defesa dos ideais não lhe permitem vislumbrar a morte na cama.
Honra e dignidade. Idealismo e decência. Entusiasmo e espírito de luta. Amor e fé. O tempo não abate esses valores; antes os acentua na alma do guerreiro.
No momento que o Exército se subordina passivamente a corruptos e a interesses pessoais; no momento em que um general transveste a honra maior de defender a população, que paga o salário dos militares, em emboscada para prender brasileiros ordeiros e idealistas; no triste momento em que um general é acusado de covardia publicamente e se cala cordato e acomodado; no momento em que os ideais e o sagrado juramento de defesa da Pátria com o sacrifício da própria vida são esquecidos em nome da defesa de cargos, interesses e honras pessoais; Pedro Shoji é exemplo de militar a mostrar que idealismo, honra e patriotismo ainda existem nos verdadeiros militares. Naqueles que, como ele, preservam a fé, o idealismo e a força do guerreiro.
Os ideais de honra, dignidade e luta contagiam e evidenciam o grande valor de Pedro Shoji, cuja amizade me honra, como ser humano e militar de fibra.
Cláudio Duarte.
Colunista e colaborador do Portal iMulher.

1 comentário
Excelente e admirável matéria! Pena que estes ideais e pensamentos estão morrendo! A honra e dignidade estão entrando em extinção. E admirável ter amigos dignos! Fraternalmente