Os Correios avaliam obter financiamento de R$ 20 bilhões de bancos públicos e privados a fim de cobrir os prejuízos dos últimos anos e saldar as dívidas de 2025 e 2026. O presidente da empresa apresentou plano de reestruturação da empresa, que não convenceu.
O presidente dos Correios buscará o empréstimo em bancos oficiais, como Caixa e Banco do Brasil, e bancos privados; a União seria a avalista. Ora, como as dívidas dos Correios vêm crescendo, fácil concluir que a União arcará com o pagamento do empréstimo, o que, em última instância, significa que nós, pagadores de impostos, arcaremos com a incompetência e a ineficiência dos Correios.
Os números indicam que os Correios parecem não ter futuro promissor. Nos últimos anos, suas receitas com vendas e serviços caíram 11%, ao mesmo tempo que as despesas administrativas cresceram 74% e as financeiras, 117%.

Em 2021, o patrimônio líquido dos Correios era de R$ 2,9 bilhões. Em 2025, o valor passou para R$ 8,7 bilhões negativos. A depreciação total foi de 11,7 bilhões (8,7 + 2,9).
A direção da empresa culpou a baixa competitividade dos Correios pelo baixo desempenho das contas. A empresa não se adaptou com agilidade à nova realidade da tecnologia e do comércio online e não inovou. Natural que tenha perdido receitas e apresentado resultados ruins.
Os Correios têm 84 mil trabalhadores, 26 mil veículos e mais de 10 mil pontos distribuídos por todo o país. Os defensores da estatização dos Correios alegam o “papel social” da empresa, que atende a todos os rincões do Brasil, faz a distribuição de provas do ENEM e de livros didáticos em geral mesmo para as localidades mais distantes.
Mas o serviço social não justifica tamanho prejuízo de R$ 4,3 bilhões, como o foi o do primeiro semestre de 2025. Nos últimos 10 anos, foram R$ 6,3 bilhões de prejuízo atualizados nos valores de hoje.
O contribuinte – todos nós – paga muito caro por um serviço social deficitário. Não faz sentido nem mesmo os Correios passarem a exercer outras atividades, que são executadas com eficiência pelo setor privado. O setor privado sempre será mais eficiente e dinâmico que o público.
Nenhuma empresa – nem pública e muito menos privada – subsiste à falta de modernização, de evolução e de adaptação às novas condições do mercado.
O antigo presidente dos Correios alegou que a “taxa das blusinhas”, que tarifou produtos no valor de até 50 dólares impostados da China, como a grande responsável pelos prejuízos dos Correios. A afirmação não se confirma pelos números. Em 2025, os Correios deixaram de ganhar cerca de R$ 1 bilhão em razão da “taxa das blusinhas” e o prejuízo total da empresa foi de R$ 4,6 bilhões. A conta não fecha.
Em um ano, os Correios triplicaram o déficit, o que evidencia claramente falta de gestão, de pouca eficiência e de uso inadequado de recursos.
O uso político dos Correios para criar cargos comissionados a fim de abrigar apadrinhados e de obter apoio do Congresso ressalta aos olhos. Políticos ocupam cargos de direção para os quais não estão preparados. Os Correios têm mais de 300 cargos comissionados, fato que confirma o pouco caso com o dinheiro público.
Assim, má gestão, falta de modernização e falta de adaptação às mudanças do mercado estão a inflar os prejuízos dos Correios.
