A liberdade dentro dos casamentos tem feito muito bem aos relacionamentos.
Este ano vivi uma experiência que reforçou essa ideia: duas amigas, ambas casadas, me convidaram para ir à Oktoberfest. Os maridos delas não gostam de festa — e tudo bem —, mas elas amam o evento. Fomos juntas, rimos, dançamos, comemos, bebemos e voltamos para casa por volta da uma da manhã. Durante a noite, elas mandavam fotos para os maridos, que respondiam: “aproveitem, divirtam-se!”.
Essa leveza me fez ter ainda mais certeza do tipo de relacionamento que busco: parceria, confiança e honestidade. Não são as tentações que derrubam um homem ou uma mulher — é a fraqueza de caráter. Havia pessoas belíssimas na festa, das mais diversas formas. Se alguém quisesse “ceder aos apelos da carne”, oportunidade não faltava.
Mas quem sabe o que tem em casa, quem valoriza o vínculo construído, não se arrisca a perder o essencial por um rosto bonito ou um abdômen definido. Uma hora de prazer não se compara à paz, à alegria e ao aconchego de estar ao lado de quem escolhemos para dividir a vida. Ter alguém com quem comemorar conquistas ou buscar colo em dias difíceis — isso é o que realmente tem valor.
O ambiente nunca é o problema. As tentações, tampouco. O que define tudo é o caráter e a força moral de cada um. Lembro de um ex-namorado há muitos anos, que, tentando me provocar ciúmes, disse que iria a uma festa “cheia de mulheres”. Respondi apenas: “Você pode ser o único homem lá, rodeado por elas. O que vai definir quem você é — e se merece continuar ao meu lado — é o seu comportamento.” Ele ficou surpreso. No fim, nem foi à festa. Perdeu a graça.
Penso assim até hoje. Se eu não confio em alguém, não a quero ao meu lado. Confiança é o alicerce de qualquer relação saudável. Ninguém é obrigado a ficar com ninguém, mas se escolheu estar, então que honre essa escolha. Não quero viver vigiando, desconfiando, conferindo mensagens ou olhares. Não tenho tempo — nem paciência — para isso.
Claro, se a desconfiança aparecer, eu vou atrás. E se descobrir algo, posso até perdoar, mas dificilmente continuarei a relação. Quando a confiança se quebra, reconstruir a cumplicidade é quase impossível. Cada um tem a sua régua — a minha não é muito flexível. Sei o que entrego: sinceridade, parceria, lealdade e honestidade. E só peço o mesmo. Hoje em dia, isso é artigo de luxo.
Uma toalha jogada na cama ou uma pequena chatice do cotidiano não me tiram do sério. Mas trair esses princípios — sim, é o caminho mais rápido para o fim. Por isso, não me dou bem com pessoas de caráter volátil, que mudam conforme o vento.
Ninguém, absolutamente ninguém, é obrigado a permanecer em um relacionamento. Se não está mais bom, converse com maturidade e termine. É possível preservar o respeito e até a amizade, em nome de tudo o que foi vivido. Gerar mágoas desnecessárias é falta de responsabilidade afetiva.
Concluo dizendo que me alegra ver cada vez mais homens e mulheres entendendo que casamento não é prisão — é escolha. E que estar junto não significa perder a individualidade.
Somos dois CPFs distintos, com sonhos próprios, mas que decidiram dividir a mesma aventura chamada vida.

7 Comentários
Que texto incrível! Amei a coluna e essa reflexão me fez pensar bastante, muito inspiradora.
Olá,Carol. Que bom ler isso. Desejo que tenha te ajudado nas suas escolhas.
Que matéria sensacional! Recentemente terminei meu relacionamento por justamente ele não ter cumprido o combinado, eu sempre achei que tudo o que é combinado não sai caro, conclusão: a relação terminou cheia de mágoas e ressentimentos, infelizmente nem todo mundo tem responsabilidade afetiva!
Exatamente como sou e penso
Nao tira uma virgula. Sou homem mas isso vale para qualquer lado. Parabéns
De todos os textos que você escreveu, esse é um dos que mais gostei…
Precisamos entender que o amor verdadeiro se conhece na liberdade, mesmo podendo ter qualquer pessoa, se escolhe ficar, honrar, respeitar os acordos feitos.
Existem relações cheias de controle, ciúmes, cobranças etc… geralmente elas terminam com uma das partes, buscando outra pessoa que traga a liberdade e a leveza, ausentes na tal relação. “Passarinho na gaiola o gato não pega.” Mas se abrir ele voa e nunca mais volta. Amar é deixar livre e respeitar as escolhas. Nada forçado é bom. O verdadeiro amor não aprisiona, ele acolhe as diferenças sem exigir sacrifícios, amar não é deixar de existir para caber no outro.
Liliani que leve ler isso, com muito entendimento e sabedoria de sua pessoa escritora nos mostrando através de lindas palavras . Amei ler sua matéria.
Conta mais …
Liliani adorei sua matéria .